Texto teatral - Pobre homem rico - para 17-2-19



POBRE HOMEM RICO
6o domingo Tempo Comum
Lucas 6, 17 . 20-26
de Emílio Carlos

NARRADOR – Era uma vez um homem muito rico chamado Jonas que vivia
numa pequena cidade.

(Jonas entra todo garboso e vai para trás da mesa de seu escritório).

NARRADOR – Muitos moradores da cidade deviam dinheiro a esse homem.

(entra uma velhinha com um saquinho de moedas e vai até a mesa).

NARRADOR – E ele tomava tudo dos pobres sem dó.

VELHINHA – Seu Jonas: eu vim pagar a minha dívida.

(Jonas toma o dinheiro da mão da velhinha bruscamente)

JONAS – Hum!... (abre o saquinho) Só isso? Onde está o resto?

VELHINHA – É tudo que eu tenho, senhor.

JONAS – Mas a senhora me deve muito mais.

VELHINHA - Eu vou pagar, seu Jonas. Me dê mais um tempo.

JONAS – Seu tempo acabou. Vou mandar buscar todos os móveis da sua casa
para pagar a dívida.

VELHINHA – (chora) Oh não, seu Jonas! Por favor!

JONAS – Hoje a tarde irei buscar seus móveis. Agora saia daqui!

VELHINHA – (sai chorando) Oh não! O que será de mim! Oh não!

NARRADOR – Que homem malvado!

JONAS – Vou ganhar um bom dinheiro vendendo os móveis dessa velha. (ri)
(entra um senhor de muletas)

SENHOR – Olá, seu Jonas! Vim pagar minha dívida. (entrega outro saquinho de
moedas)

(Jonas pega o saquinho de moedas e confere o dinheiro).

JONAS – O quê? Só isso? Você me deve muito mais!

SENHOR – Mas eu quebrei a perna, seu Jonas. Não tenho como trabalhar agora.

JONAS – Há sempre uma desculpa para não se pagar a dívida, não é? Pois vou
tomar sua casa para pagar a dívida.

SENHOR – (atemorizado) Ma-mas seu Jonas: onde eu vou morar com minha
família?

JONAS – Na rua. Que tal? (ri)

SENHOR – O senhor é muito cruel! (sai chorando) Muito cruel!

(Jonas guarda o dinheiro no cofre).

NARRADOR – Jesus disse: bem-aventurados os pobres, porque deles é o Reino
dos Céus. Mas ai de vós ricos, porque vireis a ter fome.

JONAS – Bom: hora do almoço. João: pode trazer o prato!

(João, o empregado, entra com um prato de comida e talheres em uma
bandeja. Depois sai de cena).

JONAS – Agora é hora de me fartar às custas dos pobres. (ri e começa a comer.
De repente começa a ter dor de estômago). Ai! Ai! Ai!

(Jonas se contorce de dor e chama o empregado).

JONAS – João ! João!

JOÃO – (entra) Sim senhor!

JONAS – Chame o médico! Rápido!

JOÃO – Sim senhor! (sai)

(Jonas continua se contorcendo de dor).

NARRADOR – Tanto dinheiro, tanta maldade, e ele não consegue nem comer.

MÉDICO – (entra) O que aconteceu, seu Jonas?

JONAS – Uma dor! Uma dor profunda no estômago! Ai!

MÉDICO – Deixe-me examiná-lo, seu Jonas.

NARRADOR – O médico examinou e examinou seu Jonas. Examinou bem
direitinho mesmo. E chegou a uma terrível conclusão.

MÉDICO – O senhor tem uma doença muito grave, seu Jonas. Devia ter me
chamado antes.

JONAS – Pra quê? Pra gastar meu dinheiro com médico?

MÉDICO – Infelizmente agora é tarde.

JONAS – Seu idiota: eu tenho dinheiro e posso pagar. Diga quanto você quer! Eu
tenho dinheiro!

MÉDICO – Não há nada que eu possa fazer, seu Jonas.

JONAS – Que droga! Estou com fome e não posso comer nada! Que dor! Ai!

MÉDICO – Seu Jonas: o seu caso nenhum médico da Terra pode curar. O senhor
agora está nas mãos de Deus. (sai)

JONAS – Volte aqui! Eu pago dobrado! Eu tenho dinheiro! Volte aqui! Ai! (cai
com dor)

NARRADOR – Pobre homem rico. Agora seu dinheiro não servia para nada. Ele
estava com uma doença muito grave e nem os médicos podiam curá-lo. De
que valia todo dinheiro que ele tinha agora? Sozinho, com dor, seu Jonas
pensou no que o médico havia dito: “o senhor está nas mãos de Deus”. Então,
com muita dor, seu Jonas se ajoelhou. Já fazia muito tempo que ele não rezava.
Mas agora tinha resolvido falar com Deus.

JONAS – Senhor: eu sei que eu nunca rezo. Sei que eu nunca falo com o
senhor. Sei que tenho sido mal, mas... estou arrependido. (geme de dor) Ai!
Piedade, Senhor! Se o Senhor me deixar viver prometo que mudo de vida! Ai!
Piedade, Senhor! Ai! (cai com muita dor).

NARRADOR – O homem desmaiou de dor. E dormiu até o outro dia. Então,
quando acordou, viu que não tinha mais dores. Sentia-se bem.

JONAS – (apalpa o estômago) É... é um milagre! Eu não sinto mais dores! Estou
me sentindo bem! (olha para o céu) Obrigado, Senhor! João! João!

JOÃO – (entra) Sim, senhor!

JONAS – Vá chamar o médico! Rápido!

JOÃO – Sim, senhor!(sai)

NARRADOR – Era como se ele tivesse nascido de novo. Sentia-se curado.
Sentia-se bem. Mais que isso: sentia-se bem com Deus.

MÉDICO – (entra) Seu Jonas... eu já lhe disse... eu não tenho o que fazer para
ajudar…

JONAS – Me examine, doutor.

MÉDICO – Já examinei, seu Jonas. O senhor tem pouco tempo de vida.

JONAS – Ah, é? Pois então examine de novo.

MÉDICO – Se o senhor insiste…

JONAS – Insisto. E até pago outra consulta. Vamos lá!

MÉDICO – Está certo, então... (examina seu Jonas)

NARRADOR – O médico examinou seu Jonas. E se espantou.

MÉDICO – Ué. Mas... deixe-me ver de novo.

NARRADOR – O médico examinou seu Jonas mais uma vez pra ter certeza.

MÉDICO – Mas... não é possível!

JONAS – O que não é possível, doutor?

MÉDICO – O senhor... está curado!…

JONAS – Eu sei disso.

MÉDICO – Mas não pode ser!

JONAS – Mas é, doutor. Pode acreditar.

MÉDICO – Isso só pode ser um milagre!

JONAS – E é apenas o começo: João! Ô João!

JOÃO – (entra) Sim, senhor!

JONAS – Chame a velhinha de ontem e o senhor de muletas.

JOÃO – Sim, senhor! (sai)

MÉDICO – Acho que o senhor não está pronto para tanta agitação.

JONAS – Bobagem. Eu estou curado, doutor. Fique tranquilo aí mesmo e assista.

JOÃO – (volta com as 2 pessoas) Pronto, seu Jonas!

(Entram a velhinha e o senhor de muletas)

JONAS – Ah! Aí estão vocês!

VELHINHA – Me dê mais uma chance, seu Jonas.

SENHOR – É. Nos dê mais uma chande para pagar as dívidas.

JONAS – (pega o caderninho com as anotações de contas) Não, eu não vou dar
uma chance pra vocês não.

VELHINHA – Estamos perdidos!

SENHOR – Meu Deus!

JONAS – Porque vocês não me devem mais nada. (arranca as folhas do caderno
e joga para o alto).

SENHOR – Como é que é?

JONAS – É isso mesmo! Vocês não me devem mais nada!

VELHINHA – Oh, viva!

SENHOR – Viva!

(os dois abraçam seu Jonas)

JOÃO – Ele está ficando louco, doutor?

JONAS – Não, eu não estou louco não. João: chame todos os pobres da rua.

JOÃO – Os... pobres, seu Jonas?

JONAS – É, os pobres. Hoje todos vão comer comigo, na minha mesa!

JOÃO – Tem certeza, seu Jonas?

JONAS – Vamos logo, João!

JOÃO – Sim, senhor! (sai)

MÉDICO – Ele está ficando louco mesmo!

JONAS – Não, eu não estou louco não. Nunca estive tão bem como hoje. É que
só agora entendi o que Jesus quis dizer. Só agora, doutor.

(Enquanto o Narrador fala João volta com os pobres que vão entrando
receosos. Jonas os recebe e os coloca à mesa para comer).

NARRADOR – “Bem-aventurados vós que tem fome, porque sereis saciados.
Bem-aventurados vós que chorais, porque sereis consolados”.

JONAS – Isso, sentem-se! Acomodem-se! A comida já vem vindo.

NARRADOR – Todos nós precisamos aprender a repartir o que temos com quem
precisa. Precisamos fazer nossa parte para termos uma sociedade mais
fraterna, mais justa. O homem que ajunta riquezas na Terra fica sem nada no
céu. Então vamos partilhar o que temos com nossos irmãos, hoje e sempre.
(Música e Fim)


PERSONAGENS

- Narrador
- Seu Jonas
- Velhinha
- Senhor de muletas
- João
- Médico
- Pobres


CENÁRIO

Mesa
Cofre
bancos ou cadeiras


MATERIAL DE CENA

- 2 saquinhos com dinheiro
- moedas
- prato + talheres + bandeja
- maleta do médico
- estetoscópio
- caderninho com dívidas

www.lojinhacriancacatolica.com.br




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